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Cera, lâmina, luva: o custo por atendimento que você não está contando no preço

Cera, espátula, luva, lençol e a luz do aquecedor: a tabela de custo por atendimento na depilação e a conta do preço mínimo, com a nota da compra.

"Ensina como calcular o gasto... para ver quanto cobrar... tenho muito dúvida." Uma manicure escreveu isso num comentário do YouTube em 2022, embaixo de um vídeo de gestão financeira. Na depilação a dúvida é a mesma, e a conta é mais escorregadia: o pote de cera não acaba por cliente, acaba numa terça qualquer. A espátula vai pro lixo às dezenas. O lençol descartável some do rolo sem você contar.

Por isso o preço costuma nascer do lado de fora: o que a cabine da rua cobra, menos um pouco. E o que sai do seu bolso a cada virilha fica sem número.

Você já sabe quanto gasta. Só não sabe por cliente

Você sabe quanto pagou na última compra de material, e sabe que a conta de luz subiu desde que o aquecedor ficou ligado o dia inteiro. O que falta é dividir isso pela cliente que deitou na maca. Ninguém ensina essa divisão no curso de depilação, e sem ela o preço vira chute educado.

A conta abaixo leva uma tarde e uma balança de cozinha. Os números que aparecem nos exemplos são de mentira, só pra conta andar. Troca todos pelos da sua nota.

Parte 1: o descartável, item por item

Pega a nota da última compra. Pra cada item, divide o que pagou pelo tanto que veio:

item pagou veio quanto custo por unidade
espátulas R$ un. R$
luvas (par) R$ pares R$
lâmina, pro acabamento R$ un. R$
lençol descartável ou papel de maca R$ metros ou folhas R$
lenço, algodão, papel R$ un. R$
loção antes e óleo ou gel depois R$ usos que rende R$

Depois conta quanto de cada um vai numa cliente. Numa axila você gasta poucas espátulas; numa virilha completa, bem mais. Anota por região.

Parte 2: a cera, por região

A cera é o item que mais engana, porque ninguém sabe quanto foi numa perna. O jeito de saber é pesar. Põe o pote na balança de cozinha no começo do dia e anota. No fim, pesa de novo. A diferença, dividida pelas regiões que você fez, dá uma média. Faz isso numa semana normal e já tem um número confiável.

Se preferir, faz por região: pesa antes e depois de uma virilha, de uma axila, de uma perna inteira. É mais trabalhoso e mais certo. Com o peso gasto na mão, a conta é esta:

custo da cera na região = (preço do pote ÷ gramas do pote) × gramas gastas

Parte 3: a luz do aquecedor e o fixo da cabine

O aquecedor tem a potência escrita na etiqueta, em watts. A conta da luz:

(watts ÷ 1000) × horas ligado no dia × preço do kWh na sua conta de luz = custo de luz do dia

Divide pelo número de clientes que você atende num dia normal. O preço do kWh tá impresso na sua conta de luz; usa esse, o da sua cidade.

Faz o mesmo com o fixo: aluguel da cabine, internet, o boleto do MEI. Soma o mês e divide pelos atendimentos do mês. Se você atende em casa e não paga aluguel, o fixo é menor, mas a luz continua lá.

A tabela completa

Agora junta tudo, uma linha por serviço:

região cera descartável luz e fixo custo por atendimento tempo
axila R$ R$ R$ R$ min
buço R$ R$ R$ R$ min
virilha completa R$ R$ R$ R$ min
meia perna R$ R$ R$ R$ min
perna inteira R$ R$ R$ R$ min

Esse custo é o chão. Abaixo dele, você paga pra depilar.

O preço mínimo: custo ÷ (1 − margem)

Margem é a parte do preço que sobra depois de pagar o custo. É dela que sai a sua hora, o dia sem cliente, o curso novo, a reserva pra quando o aquecedor queimar. Você escolhe esse número; a gente recomenda nunca menos que a metade do preço.

preço mínimo = custo por atendimento ÷ (1 − margem)

Exemplo com número de mentira: a virilha custou R$ 12 e você quer margem de 70%. 1 − 0,70 = 0,30. R$ 12 ÷ 0,30 = R$ 40. Esse R$ 40 saiu da conta de exemplo e não vale como preço de virilha em lugar nenhum. O seu sai da sua tabela.

Se o preço que você cobra hoje ficou abaixo do mínimo, a conta mostrou o problema. Se ficou acima, ótimo: agora você sabe quanto sobra de verdade.

O teste do tempo

Última coluna da tabela. Divide o preço de cada região pelos minutos que ela leva e multiplica por 60. É quanto aquela região rende por hora de maca.

Quase sempre aparece uma região que rende bem menos que as outras: a que demora mais do que você lembrava e ficou com preço de serviço rápido. É nela que o reajuste começa. Pra quem tem a sua hora como número fixo, a outra conta, com a hora de trabalho dentro, tá em Quanto cobrar pelo design de sobrancelha.

E quando a cliente achar caro depois do reajuste, as respostas prontas estão em "Tá caro" e "faz um descontinho".

Era uma parede de várias, e elas têm ordem

  1. A tabela de custo, hoje, com a nota da última compra e a balança da cozinha.
  2. O preço mínimo de cada região, e o reajuste com data nas que ficaram abaixo.
  3. A conta de novo toda vez que a cera sobe, que é quando a sua margem encolhe sem avisar.
  4. Saber quanto cada região trouxe no mês, pra ver se a que rende menos é também a que você mais faz.

A primeira é uma tarde. A segunda é uma mensagem pras clientes. A terceira e a quarta são o caderno aberto todo mês, somando atendimento por atendimento, e é aí que a conta costuma parar, porque o mês não espera você ter tempo de somar.