Depósito por Pix no Kallos: o horário só trava quando o dinheiro cai
Você pede o sinal, ela diz "já te mando" e a maca fica presa por uma promessa. Onde ligar o depósito por Pix no Kallos, por serviço, e o que ele não decide por você.
"O duro é quando vc pede os 30% e a cliente fala 'pode marcar q já te mando' e nunca manda kkk." Uma profissional escreveu isso num comentário do YouTube em 2025. Outra, em 2024: "algumas clientes [...] ignoraram a mensagem e não pagaram, algumas desistiram e me deixaram no prejuízo".
Numa cabine de estética o "já te mando" tem uma hora certa de doer. Sessão de drenagem é uma hora e meia de maca. A cliente pediu quinta às 15h, você mandou o valor do sinal e a chave, ela respondeu "já te mando" às 10h da terça. Você segurou a quinta. Na quarta, uma cliente do pacote pediu exatamente esse horário e ouviu "não tenho". Quinta, 15h20, a maca tá arrumada, o óleo aberto, e o Pix nunca caiu. Você perdeu a sessão de R$ 100 e a outra cliente que pagaria.
Você já cobra sinal. O que falha é o meio do caminho
Se você pede sinal, já fez a parte difícil: decidiu cobrar, escreveu a regra, aguentou o "mas eu sou sua cliente". As quatro condições que fazem o sinal funcionar sem perder cliente (avisado antes, parcial e abatido, prazo justo, exceção pra doença) tão em Sinal pra marcar sobrancelha: as 4 condições, e valem pra drenagem do mesmo jeito.
O que falha vem depois da regra. Entre "pedi o sinal" e "o Pix caiu" existe um espaço que hoje é preenchido por você: mandar a chave, esperar, abrir o extrato, procurar o nome, voltar no WhatsApp pra dizer "caiu, tá reservado". E enquanto você não fecha esse espaço, o horário fica travado por uma promessa. Sinal prometido segura a maca igual a sinal pago, só que sem o dinheiro.
Fechar esse espaço é o que o depósito por Pix do app faz. Ele é do plano Amiga, e a regra dele cabe no título: o horário só trava quando o dinheiro cai.
Antes de ligar: chave e serviço
Duas coisas precisam existir. A Chave Pix, cadastrada em Minha conta, na opção com o subtítulo "Cadastre para gerar QR Code"; é a mesma chave do QR do fim do atendimento, e a gente mostrou onde fica em Chave Pix no Kallos. E o serviço cadastrado em Serviços, com preço e duração de verdade: o sinal é calculado em cima do preço, e a maca só fica reservada pelo tempo que a duração diz.
Onde liga: serviço por serviço
O depósito não é um botão geral. Ele liga em cada serviço, e é assim que deve ser. Abre Minha conta, toca em Serviços, entra no serviço (a sessão avulsa de drenagem, por exemplo) e liga Exigir Depósito Pix. Ali você preenche o que a regra escrita já diz:
- O tipo e o valor do sinal: fixo (R$ 30) ou percentual (30% do serviço). Nossa opinião pra estética: percentual, porque sessão avulsa, pacote e limpeza de pele têm preços diferentes e a regra continua a mesma pra cliente.
- O prazo de devolução: até quando a cliente pode cancelar e ter o sinal de volta. É a condição 3 da regra, o "me avisa até 24h antes", escrita como número.
Serviço por serviço resolve uma coisa que a regra no papel não resolvia bem: a avaliação de 20 minutos, que é de graça ou custa pouco, não precisa de sinal; a sessão de uma hora e meia precisa. Você liga num e deixa o outro sem. E o pacote pago adiantado, aquele que a gente montou em Pacote de 10 sessões pago adiantado, já tá pago: sessão de pacote não pede sinal de novo.
O que acontece quando a cliente marca
Com o depósito ligado no serviço, o agendamento nasce pendente de pagamento. A cliente recebe o Pix ao marcar, com o valor do sinal e a sua chave, e o horário fica marcado como pendente até o Pix cair. Caiu, o agendamento confirma sozinho. Não caiu, ele continua pendente, visível pra você como pendente, e você sabe que aquela quinta às 15h ainda não é de ninguém.
É a diferença entre "já te mando" e "caiu". Hoje as duas frases têm o mesmo efeito na sua agenda, porque quem trava o horário é você, na hora em que a cliente promete. Com o depósito, quem trava é o dinheiro. A cliente que ia mandar manda em cinco minutos, porque o Pix chegou pronto. A que ia "ver depois" fica pendente, e a maca fica livre pra quem pagar.
Onde conferir: Comprovantes Pix
Ainda em Minha conta, Comprovantes Pix, a opção com o subtítulo "Revisar pagamentos de sinal recebidos". É a lista do que entrou como sinal, por cliente e por agendamento. É o extrato que você abria pra procurar o nome, só que já com o nome, e ligado ao horário.
Pra cabine que faz dez sessões por semana, é ali que a segunda-feira começa: quem pagou o sinal da semana, quem tá pendente, e pra quem vale mandar um "oi, ficou pendente o Pix da quinta, ainda quer o horário?".
A exceção continua sendo sua
Isto importa, e a gente prefere dizer com todas as letras. O app cumpre a regra. Ele não decide a exceção.
A cliente que pagou o sinal, passou mal de madrugada e mandou mensagem às 8h pedindo pra remarcar continua sendo uma decisão sua, com o atestado na conversa e a resposta que a gente escreveu em Ela pagou o sinal, adoeceu no dia e você cobrou tudo. O depósito sabe se o Pix caiu e se o prazo passou. Se a doença vale exceção, é você quem diz, e é você quem guarda aquele sinal pra nova data.
O outro lado também continua valendo. "E quando vc marca um mês antes sua unha e vc chega no salão e cancelaram e trata vc igual consulta no SUS", escreveu uma cliente em 2024. Se é você que precisa desmarcar a quinta, o que acontece com o sinal dela é a sua regra, e o que a lei descreve tá logo abaixo.
O que a lei diz sobre sinal
Ninguém aqui é advogado e isto não é parecer; é o texto da lei, que é público.
O Código Civil (Lei 10.406/2002) trata do sinal nos artigos 417 a 420, com o nome de arras. O artigo 417 diz que, cumprido o combinado, o sinal deve ser "restituído ou computado na prestação devida": a lei já espera que ele seja abatido do serviço. O artigo 418, na redação da Lei 14.905/2024, diz que se quem deu o sinal não cumpre, a outra parte pode "ter o contrato por desfeito, retendo-as"; e se quem recebeu é que não cumpre, quem deu pode "exigir a sua devolução mais o equivalente". Ou seja: a cliente que fura perde o sinal, e a profissional que fura devolve em dobro. Vale nos dois sentidos.
O que o app faz com isso: o sinal que ele cobra é parcial e é abatido do serviço, como o artigo 417 descreve. O que ele não faz: aplicar o artigo 418 por você. Devolver, guardar pra outra data ou reter é decisão sua, cliente por cliente.
O que o depósito não faz
Não faz a cliente pagar. Quem não quer pagar sinal continua não pagando; a diferença é que o horário não fica preso enquanto ela decide.
Não decide exceção nem devolução. Doença, imprevisto, o seu próprio cancelamento: você decide, você conversa, você devolve.
Não confere a sua conta do banco. O sinal cai na sua chave Pix, na sua conta, como qualquer Pix. O que o app registra é que caiu, ligado ao agendamento.
Não substitui a regra escrita. A cliente que recebe um Pix de sinal sem nunca ter lido a regra tá recebendo uma cobrança surpresa, e cobrança surpresa é o que rompe: "avisar depois do cancelamento é sacanagem", escreveu uma cliente em 2025. A regra das 4 condições vai na conversa, antes, do mesmo jeito de sempre. O app cobra o que ela já sabe.
Não vem no plano Solo. Lá, o Pix é o QR do fim do atendimento, que cobra o serviço feito. O sinal que trava o horário antes é do Amiga.
O que muda na quinta às 15h
A cliente pediu o horário na terça. Recebeu o Pix do sinal na hora, com a regra que já tinha lido. Pagou às 10h15, o horário confirmou sozinho, e você nem abriu o extrato. Na quarta, a cliente do pacote pediu a quinta às 15h e ouviu "esse tá reservado", e era verdade. Quinta, 15h, maca arrumada, cliente na porta.
Se ela não tivesse pagado, a quinta tava livre na quarta, quando a outra pediu. O "já te mando" continua existindo. Só não segura mais a maca.
Fontes
- Código Civil, Lei 10.406/2002, arts. 417 a 420 (Das Arras ou Sinal), art. 418 na redação da Lei 14.905/2024. Texto compilado no Planalto: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Consultado em 19/09/2026.