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Pix na bancada: QR Code estático em 5 minutos, sem maquininha e sem taxa

"Depois te mando o Pix" e três dias de espera. Como gerar o QR estático no app do banco, imprimir e onde colar, e o que o Banco Central diz sobre taxa.

"Tinha uma cliente que toda vez que terminava meu serviço ela dizia que ia passar o pix e não mandava, dava dois, três dias e nada." Uma manicure escreveu isso num comentário do YouTube em 2023. A gente já falou dessa cena em "Depois te mando o Pix": o valor dito em voz alta, a frase de fechamento, o QR na bancada. Este post é o passo a passo do QR, que lá coube em um parágrafo e aqui ganha a receita inteira, com o que o Banco Central diz sobre taxa.

O "depois" existe porque pagar exige a cliente abrir o app do banco, pedir a sua chave, digitar, conferir. Quatro passos entre o "ficou linda" e o dinheiro na conta, e ela com a bolsa no ombro. O QR na bancada corta pra um: apontar o celular.

Estático e dinâmico, em uma frase cada

QR estático é a sua chave Pix transformada em imagem. Vale pra sempre, serve pra qualquer cliente, com valor fixo (R$ 35, sempre) ou sem valor (a cliente digita). É o que vai na bancada.

QR dinâmico é gerado a cada cobrança, com valor e validade, e vale uma vez. É o da maquininha, do link de pagamento e do app que cobra por atendimento.

Pra bancada, estático sem valor, impresso uma vez. Se um serviço é a maior parte do seu dia, vale um segundo com valor fixo ao lado.

Os 5 passos

1. Gera no app do banco. Procura "Pix", depois "Receber" ou "Cobrar" (o nome muda de banco pra banco), e "QR Code". Deixa o valor em branco. Confere que a chave é a da conta em que o dinheiro do salão deve cair; se você separa salão e casa, é a do salão.

2. Salva e testa. Salva a imagem e, antes de imprimir, pede pra alguém apontar o celular e mandar R$ 0,01. Esse centavo evita descobrir na cliente que a imagem saiu cortada.

3. Imprime. Uns 8 cm de lado, na papelaria da esquina. Em cima, seu nome como aparece na conta; embaixo, "Pix aqui". Nada mais.

4. Plastifica. Na mesma papelaria, ou fita adesiva larga dos dois lados. Esmalte, cera e água caem na bancada; papel sem proteção dura uma semana.

5. Cola onde a cliente olha. Na altura dos olhos de quem tá sentada: no suporte de acrílico ao lado do espelho ou na lateral do organizador de esmaltes, longe da toalha molhada. Uma segunda cópia no caderno, pra domicílio.

Cinco minutos no app, uma ida à papelaria. A frase na hora de mostrar tá no outro post: o valor dito em voz alta, e "me avisa quando cair".

E a taxa?

A regra é do Banco Central, e dá pra ler.

Conta de pessoa física, a do seu CPF. A Resolução BCB 19/2020, artigo 3º, proíbe o banco de cobrar tarifa de pessoa natural, "inclusive empresário individual", por receber Pix com finalidade de transferência. E a Resolução BCB 30/2020 diz o que conta como transferência pra quem recebe: Pix iniciado por chave, por dados da conta ou por QR Code estático, até 30 recebimentos no mês (art. 87-A do Regulamento do Pix). A partir do 31º, e em qualquer Pix por QR dinâmico, a regra chama de compra (art. 87-B), e aí o banco pode cobrar. Pode; não é obrigado. Quem atende 15 clientes por semana passa dos 30 na segunda quinzena, e o que acontece do 31º em diante tá na tabela de tarifas do seu banco.

Conta PJ, a do CNPJ do MEI. A mesma Resolução 19, no artigo 4º, deixa o banco cobrar de pessoa jurídica pelo envio e pelo recebimento. De novo: pode. Nos dois bancos digitais que a gente conferiu nesta semana, o QR estático sai de graça:

  • Inter, tabela de tarifas PJ com vigência a partir de 21/06/2025, linha "MEI e PJ (Digital)": "Recebimento QR Code Pix (static)" R$ 0,00. O dinâmico ("imediato") custa 0,9% do valor, mínimo R$ 0,10 e máximo R$ 1,50, com 30 isentos no mês.
  • Nubank, página da conta Nu Empresas, consultada em 19/09/2026: "Zero tarifa para envio ou recebimento via Pix".

O que isso prova: em duas tabelas, num dia de setembro de 2026, o QR estático numa conta MEI não custou nada. O que não prova: que o seu banco faz igual, nem que continua assim em dezembro. Olha a linha do QR estático na tabela do seu banco antes de imprimir.

O que o QR na bancada não faz

Não confere se caiu: isso continua sendo você, no app do banco. Não digita o valor certo: no QR sem valor, a cliente digita, e R$ 30 no lugar de R$ 35 acontece mais do que parece. Não anota quem pagou: a linha do caderno continua sendo sua.

Era uma parede de várias, e elas têm ordem

  1. O QR estático na bancada. Hoje, cinco minutos e a papelaria.
  2. Conferir se caiu antes de ela levantar, ou marcar "em aberto" e cobrar amanhã.
  3. O QR com o valor certo pra cada atendimento, sem a cliente digitar, sem você imprimir um por serviço.
  4. O pagamento gravado no agendamento daquela cliente, naquele dia, pra saber no fim do mês quem pagou e quem ficou em aberto.

A primeira resolve o "depois" a partir de amanhã. As outras três funcionam na mão, a cada cliente, e são a parte que dá pra não fazer na mão.

Fontes