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Quanto custa uma falta por semana pra quem cobra R$ 35 no pé e mão

A conta com o preço que uma manicure relatou: R$ 35 o pé e mão, R$ 10 de custo, R$ 25 de lucro. Uma falta por semana e o que some do mês sem deixar rastro.

"Eu estou completamente perdida só numa semana fiz 925 reais. Essa semana quase 700 reais e cadê o dinheiro." Uma manicure escreveu isso num comentário do YouTube em 2026. Duas semanas, R$ 225 de diferença, e nenhuma linha no caderno explicando pra onde foi.

Parte dessa diferença tem um nome que ela usa todo dia: bolo. E bolo não aparece no caderno, porque o caderno anota o que entrou. Vamos fazer a conta com números que outra manicure deixou no mesmo vídeo, e depois você refaz com os seus.

Os números de quem anota desde 2017

"Sou manicure desde 2017 [...] O meu é simples tudo anotado em um caderno, tenho tudo anotado desde 2017 [...] Meu pé e mão é 35,00, meu custo arredondado sempre pra mais 10,00 e lucro 25,00." Foi o comentário mais votado do vídeo, em 2022, com 115 curtidas. É o preço dela, na cidade dela, com o custo dela. Serve como exemplo, e é só isso: relato de uma profissional, não tabela de mercado.

O que importa aqui é que ela sabe as três parcelas de cor: preço, custo e lucro. Quem sabe isso tem gestão. O que o caderno dela não mostra é a quarta parcela, a que não entrou.

A conta de uma falta

Uma cliente marca pé e mão às 14h e não vem. O que aconteceu com cada parcela:

  • R$ 35 de faturamento não entrou. Esse é o número mais fácil.
  • R$ 25 de lucro não entrou. É o que sobraria depois do material.
  • R$ 10 de custo, na maior parte, você não gastou: o esmalte continua fechado. Mas o material já estava separado e a lixa, o algodão e a toalha estavam prontos. Custo pequeno, mas o tempo de preparar existe.
  • Uma hora parada. Pé e mão leva perto de uma hora. Você esperou, mandou "tá vindo?", esperou mais. Essa hora era de outra cliente, e nos comentários isso aparece assim: "A cliente marcou. Não veio. Deixei de marcar outra. Ela nem avisou" (2022).

Agora uma falta por semana, num mês de quatro semanas:

por falta por mês (uma por semana)
faturamento que não entrou R$ 35 R$ 140
lucro que não entrou R$ 25 R$ 100
hora parada 1h 4h

R$ 140 por mês. Num ano, R$ 1.680. Com uma falta por semana, que é pouco pra quem atende todo dia. Se são duas, dobra.

E tem a parte que não cabe na tabela: as 4h por mês em que você ficou na cadeira olhando o celular. Quatro horas dão mais quatro pés e mãos. Ou uma tarde de folga que você não tirou.

Onde esses R$ 140 aparecem no caderno

Em lugar nenhum. É esse o ponto. O caderno anota o que aconteceu: "Fulana, pé e mão, 35". A falta acontece e não deixa linha. No fim do mês você soma o que entrou, vê que deu menos que o mês passado, e a pergunta é a mesma da manicure de 2026: cadê o dinheiro.

Esse dinheiro nunca chegou a entrar, e o caderno não tem coluna pra isso.

A solução de hoje custa uma caneta. Toda falta vira uma linha no caderno, igual a um atendimento: data, nome da cliente, o valor que seria. Pode ser uma cor diferente, pode ser um "F" na frente. No fim do mês você soma essa coluna separada. Esse número é o custo das faltas do seu mês, com o seu preço, sem depender de nenhum número de setor.

Aí faz a sua conta: pega o teu valor de pé e mão e multiplica pelas faltas da semana passada. Depois multiplica por quatro. Se você cobra R$ 50 e levou dois bolos na semana, são R$ 400 no mês que não entraram.

A conta do outro lado

Já que estamos com o lápis na mão: o plano mais barato do Kallos, o Solo, custa R$ 49,90 por mês. Põe ao lado do preço do seu pé e mão e conta quantas faltas a menos no mês cobrem o plano.

Ninguém aqui promete que a falta acaba. Nenhum app faz a cliente aparecer. O que ele faz é mandar o lembrete que você já manda na mão, na hora certa, sem depender de você lembrar, e deixar a falta registrada no histórico da cliente em vez de na sua memória. A conta acima é só pra você comparar dois números do mesmo tamanho: o que a falta custa e o que custa não fazer o lembrete na mão.

A regra de três que tá na sua cabeça

"Depois de três vezes que fizer isso não marco mais", escreveu uma profissional em 2025. Quase toda manicure tem essa regra. Ela vive na cabeça, e a cabeça esquece quem tá na segunda.

A linha no caderno resolve isso também. Se toda falta vira uma linha com nome, no fim do mês você sabe quem faltou uma vez e quem já vai pra terceira. Aí a regra deixa de ser sensação e vira contagem. E pra essa cliente que já tá na segunda, a regra precisa estar combinada antes da próxima marcação, senão a cobrança vira briga. O texto pronto pra mandar tá em A cliente confirmou ontem e não veio hoje.

Então, pergunta que fica: onde isso está anotado? Se a resposta for "na minha cabeça", a linha no caderno é o primeiro passo. O segundo é a regra escrita. O terceiro é o lembrete que sai sozinho e a falta que se anota sozinha, na ficha da cliente, todo dia, sem você.