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"Taxa administrativa de 5% que ninguém explicou: a regra opaca que faz a profissional sair"

Taxa administrativa no salão em cima da comissão: por que aparece só no repasse, o que a lei diz da parte do salão e o combinado em 5 linhas.

"Salão onde trabalho me cobra taxa administrativa de 5% de tudo que eu faço mais a comissão do salão, isso é certo ou errado." Uma profissional escreveu isso num comentário do YouTube em 2022, embaixo de um vídeo sobre comissão. Ninguém respondeu.

Repara no que ela pergunta: se é certo. E pergunta porque descobriu a taxa já trabalhando, no papel do repasse.

O erro: a regra que só aparece no repasse

Pensa numa designer de sobrancelha com 50% de comissão. Semana boa: 30 designs com henna a R$ 60 (número de exemplo; o seu pode ser R$ 25 ou R$ 80). R$ 1.800 de serviço. Ela fez a conta de cabeça a semana inteira: R$ 900 são dela.

Chega o repasse: R$ 810. Os R$ 90 que faltam são os 5% "de tudo que eu faço", calculados sobre os R$ 1.800.

E aqui tá o pedaço que ninguém explicou pra ela: 5% sobre o total da semana são 10% do que era dela. Na prática, o salão ficou com 55% e não com 50%. Pode até ser um número justo. Só que ela combinou um e recebeu outro, e o que ela leva pra casa desse repasse é a sensação de que tem mais coisa escondida.

Assim nasce o "toda vez que contrato a pessoa fica 1 mês e sai", de uma dona no mesmo vídeo.

A taxa às vezes tem motivo

Do lado da dona, os 5% quase sempre cobrem algo real: a taxa da maquininha, o imposto (na parceria, a lei manda o salão reter os tributos da profissional), recepção, produto de limpeza, toalha.

O custo pode ser justo. O erro é ele aparecer pela primeira vez no repasse, com um nome ("administrativa") que não diz o que paga. Se você é dona e cobra, talvez nunca tenha precisado explicar, porque ninguém perguntou na sua frente. Perguntaram na internet.

O que a lei diz da parte do salão

A Lei 13.352, de 2016, a do Salão-Parceiro, diz o que a parte que o salão retém paga. Ela é a título de "aluguel de bens móveis e de utensílios" e/ou de "serviços de gestão, de apoio administrativo, de escritório, de cobrança e de recebimentos de valores transitórios recebidos de clientes". E diz que o contrato tem que trazer, por escrito, o "percentual das retenções pelo salão-parceiro dos valores recebidos por cada serviço prestado".

Lido como texto: na lei, gestão e apoio administrativo aparecem dentro da parte do salão, e todo percentual que o salão retém precisa estar no contrato. A lei não diz que uma taxa de 5% é proibida. Diz que ela tem que estar escrita. Se no seu caso a taxa é certa ou errada, quem responde é advogado ou o sindicato da categoria; a gente não dá parecer.

O conserto: o combinado em 5 linhas, antes do primeiro dia

A gente já fez a lista do que combinar quando entra alguém novo, em Contratou a primeira profissional. Estas cinco linhas são só o caminho do dinheiro, da cliente até o Pix da profissional, e são as que mais dão briga.

Repasse de [profissional], a partir de [data]

  1. Base: a comissão é sobre o valor que a cliente pagou, [antes / depois] da taxa do cartão.
  2. Parte do salão: [__]%.
  3. Outros descontos, cada um com nome, valor e o que paga: [taxa de __% sobre o total, que cobre ___] / [imposto retido: ___] / nenhum outro além destes.
  4. Exemplo com um serviço: design com henna de R$ [60] → parte do salão R$ [] → descontos R$ [] → pra profissional R$ [__].
  5. Qualquer mudança nestas linhas é avisada por escrito, com 30 dias, antes de valer.

A linha 4 é a que resolve: percentual se lê de dois jeitos, um serviço calculado até o real, não. Se a conta da linha 4 der R$ 27 e ela esperava R$ 30, a conversa acontece antes da primeira cliente, e não no primeiro repasse.

A linha 5 copia o prazo que a lei dá pra encerrar a parceria (aviso prévio de, no mínimo, trinta dias). A lei não fala de mudança de taxa; o prazo é escolha nossa.

Se você é a dona e já cobra a taxa

A nossa opinião: junta tudo num número só. Se o salão fica com 50% e mais 5% do total, escreve "o salão fica com 55%". É o mesmo dinheiro, e a pergunta de 2022 deixa de existir. Se algum desconto não cabe numa linha com o que ele paga, vale olhar se ele precisa existir.

Se você é quem recebe o repasse

Pede as cinco linhas, sem tom de cobrança:

Oi, [nome]! Pra eu fechar minhas contas da semana, me passa por escrito como fica o repasse? Queria ver um design de R$ [60] da cliente até o meu Pix: a parte do salão, a taxa e qualquer outro desconto. Assim a gente confere igual toda sexta.

Se vier "depois a gente vê", você já sabe o que perguntar antes de ficar mais um mês. E a conta de percentual com material, feita pra lash e igual pra sobrancelha, tá em Lash designer no salão a 40%.

Era uma parede de várias, e elas têm ordem

  1. As cinco linhas, com o exemplo calculado. Hoje, uma folha por profissional.
  2. O repasse da semana com uma coluna pra cada desconto, uma linha por atendimento: valor, parte do salão, taxa, líquido.
  3. A conferência de sexta, as duas olhando a mesma folha antes do Pix.
  4. Cada atendimento já lançado com o repasse calculado, pra ninguém refazer conta de cabeça no fim da semana.

A primeira é uma tarde e derruba a desconfiança. A segunda e a terceira funcionam no caderno, por profissional. Com três designers e trinta atendimentos cada, a quarta são noventa contas por semana, e é a parte que dá pra não fazer na mão.

Fontes