← todos os posts

"Maquiadora no salão: comissão por serviço, diária ou aluguel da cadeira no fim de semana"

Maquiadora que só lota no sábado: comissão, diária ou aluguel de cadeira. A conta dos três num mês de casamento e formatura, e o combinado pra copiar.

"Qual o valor de comissão pago geralmente para maquiador de produção de madrinha, debutante e noivas por exemplo?" A pergunta é de 2026, num comentário do YouTube, e ficou sem número.

Não tem como ter um número só, porque a maquiagem enche o sábado e deixa a semana vazia. Casamento, formatura e debutante caem em dois dias, e de segunda a quinta o espelho fica apagado. Um barbeiro resumiu o conflito em 2024: "Bom eu como colaborador prefiro pagar aluguel pq e melhor pra mim, agora como dono de barbearia seria por comissão." A mesma pessoa, dos dois lados, escolhe diferente.

A regra do salão foi feita pra quem atende todo dia

Se você não sabe o que propor, ou se a proposta presta, faltou alguém dizer que a conta de cabelo e unha não serve aqui. Os modelos gerais tão em Comissão, aluguel de cadeira ou misto. Na maquiagem entra o que lá não tinha: o mês tem quatro sábados, e tem sábado com quatro madrinhas e sábado em que ninguém casou.

Os três modelos pra quem trabalha concentrado no sábado

Comissão por serviço. Cada produção paga uma porcentagem pro salão. Sábado vazio não custa nada pra ninguém.

Diária. Ela paga um valor fixo por dia em que usa a cadeira. O que fatura no dia é dela.

Aluguel da cadeira no fim de semana. Um fixo por mês pelos sábados e domingos, usando ou não. É o modelo do barbeiro "colaborador".

A conta num mês de verdade

Números de exemplo, inventados só pra conta andar: produção de madrinha a R$ 180, comissão de 40% pro salão, diária de R$ 150, aluguel de R$ 400 pelos fins de semana do mês. Kit dela em todos os casos. Troca pelos seus.

O mês: dois sábados com 4 produções, um com 2 e um vazio. São 10 produções, R$ 1.800.

comissão 40% diária R$ 150 aluguel R$ 400
sábado com 4 produções (R$ 720) salão R$ 288 · ela R$ 432 salão R$ 150 · ela R$ 570 ela fica com os R$ 720
sábado com 1 produção (R$ 180) salão R$ 72 · ela R$ 108 salão R$ 150 · ela R$ 30 ela fica com os R$ 180
sábado vazio zero pros dois zero, se ela não vem ela já pagou
o mês inteiro salão R$ 720 · ela R$ 1.080 salão R$ 450 · ela R$ 1.350 salão R$ 400 · ela R$ 1.400

Repara na segunda linha. Na diária, o sábado de uma produção deixa R$ 30 pra ela, e é aí que a maquiadora fica em casa e o salão perde a diária. Na comissão, o mesmo sábado ainda paga os dois.

A terceira linha mostra quem carrega o risco: na comissão, o salão; no aluguel, ela. A diária fica no meio, e por isso precisa de uma regra a mais: diária reservada é diária paga, mesmo que a noiva desmarque.

O que decide de verdade: de quem é a cliente

A noiva chegou pelo salão ou por ela? Se fechou cabelo e maquiagem no balcão, a cliente é do salão, e comissão é justo. Se a madrinha veio pelo Instagram dela, cobrar 40% de quem trouxe a própria cliente é o caminho mais curto pra ela ir embora.

A nossa opinião: misto por origem. Comissão nas clientes do salão, diária nas dela. E produção feita fora, no hotel ou na casa da noiva, segue a regra de quem fechou o serviço.

O combinado do fim de semana, pra preencher hoje

Preenche com o que já acontece:

Combinado entre [salão] e [maquiadora], a partir de [data]

  1. Cliente que chegou pelo salão: [__]% pro salão sobre o valor da produção.
  2. Cliente que chegou por ela: diária de R$ [___] por dia em que usar a cadeira.
  3. A diária é reservada até [quinta, 18h]. Reservou, paga, mesmo se a cliente desmarcar.
  4. Produção fora do salão (hotel, casa da noiva): segue a regra de quem fechou o serviço.
  5. Kit, cílios e descartáveis: por conta de [quem]. Água, luz e espelho: do salão.
  6. Repasse ou pagamento da diária: toda [segunda], com a lista do fim de semana conferida pelas duas.
  7. Qualquer uma das duas encerra o combinado avisando com 30 dias.

A linha 3 protege a dona sem virar aluguel. A linha 4 evita a briga de março, quando a temporada de formatura passa e alguém lembra das produções feitas fora. O sinal da noiva segue a mesma lógica da origem, e o que combinar nele tá no Checklist do sinal pra maquiagem de evento.

O que a lei diz

A Lei 13.352, de 2016, a do Salão-Parceiro, cita o maquiador pelo nome. O modelo dela é o de comissão: o salão centraliza os pagamentos e retém a "cota-parte percentual, fixada no contrato de parceria". O contrato é escrito, homologado no sindicato da categoria (ou no órgão local do Ministério do Trabalho), com duas testemunhas, e a rescisão pede aviso prévio de, no mínimo, trinta dias. Diária e aluguel não aparecem na lei: são outro contrato, conversa pro contador.

Em 2021 o STF julgou a lei constitucional, e a tese diz que o contrato de parceria é nulo "quando utilizado para dissimular relação de emprego de fato existente". Texto de lei e de decisão, não parecer jurídico.

Era uma parede de várias, e elas têm ordem

  1. O combinado de sete linhas, assinado. Hoje.
  2. Cada produção anotada com a origem (salão ou ela), no dia.
  3. O fechamento de segunda, as duas conferindo a lista antes do Pix.
  4. A agenda de sábado num lugar só, cabelo e maquiagem da mesma noiva em sequência.

A primeira é uma conversa. A segunda e a terceira cabem no caderno. A quarta, com cabeleireira e maquiadora na mesma noiva às 7h, é a parte que dá pra não fazer na mão.

Fontes