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Postou o antes e depois, todo mundo elogiou, ninguém marcou. O que faltou no post

Foto boa, comentário elogiando e a agenda vazia. O elogio para na foto porque o próximo passo não tá na legenda. Modelo de 5 linhas pra copiar hoje.

"Chamei umas colegas como modelo [...] fiz algumas fotos divulguei e ainda não consegui nenhuma cliente." Uma profissional escreveu isso num comentário do YouTube em 2023, e foi o comentário mais curtido do vídeo, com 167 curtidas. Dois anos depois, embaixo do mesmo canal, outra resumiu igual: "Sempre posto reels, storys [...] E tenho um total de 0 clientes."

As duas fizeram o que todo mundo manda fazer. Chamaram modelo, fizeram a foto, postaram. O trabalho aparece, a foto tá boa, o comentário chega. E a maca continua vazia na quinta-feira.

Antes de seguir, o combinado deste post: ele não traz seguidor novo e não traz cliente de fora. O que ele faz é olhar pra quem já viu a sua foto e já elogiou, e mostrar onde essa pessoa para. Porque uma parte dela para por um motivo que você conserta hoje, na legenda, sem app e sem pagar impulsionamento.

O post vende o resultado e esconde o caminho

Pensa no seu último antes e depois de volume brasileiro. Em cima, o olho lavado, sem fio nenhum. Embaixo, o olhar pronto, o leque aberto, a curvatura certa. A legenda diz "amei fazer esse", marca a modelo e tem cinco hashtags.

Essa peça faz uma coisa muito bem: prova que você sabe aplicar. E faz outra sem querer: deixa a pessoa que gostou sem saber absolutamente nada do que ela precisa pra marcar.

Quanto custa. Quanto tempo ela vai ficar deitada. Se é o mesmo preço da manutenção. Onde fica o seu studio. Se você atende sábado. Como é que se marca, no direct ou no WhatsApp. E a pergunta que decide tudo: tem vaga essa semana ou você tá cheia até o mês que vem.

Sete perguntas. Nenhuma delas é sobre a qualidade do seu trabalho, e é por isso que o elogio não contradiz a agenda vazia. Ela viu que ficou lindo. O que ela não viu foi o caminho.

A culpa não é sua. Ninguém ensina legenda em curso de extensão de cílios. O curso ensina mapping, curvatura, isolamento, e no módulo de "divulgação" manda postar antes e depois, que é justamente o que as duas profissionais lá de cima fizeram. Elas seguiram a instrução inteira. A instrução é que estava pela metade.

Onde o elogio morre

Tem um detalhe do Instagram que trabalha contra você aqui. Quem elogia costuma elogiar de dentro do aplicativo, no comentário ou numa reação de story, num momento em que ela tá deitada no sofá passando o dedo. Ela não tá com a agenda dela na cabeça, não sabe se pode terça, e provavelmente nem lembra quanto custou o último cílio que ela fez.

Se o próximo passo exige que ela abra uma conversa, pergunte o preço, espere você responder e negocie um dia, ela adia. E adiar, no Instagram, quer dizer esquecer, porque o post desce e no lugar dele entram outros trinta.

O que dá pra fazer é reduzir esse próximo passo a uma coisa só: ler a legenda até o fim e mandar uma mensagem já sabendo de tudo. A conversa depois que ela pergunta a gente já escreveu em "Vou agendar sim!" e nunca agenda, e o que precisa estar na página do link da bio tá em O que colocar no link da bio. Este aqui é o pedaço que vem antes dos dois: a legenda da peça que ela viu.

A legenda em 5 linhas

Cinco linhas, nessa ordem, embaixo de todo antes e depois. Cada linha responde uma das perguntas que ela faria.

Volume brasileiro feito hoje aqui no studio. R$ [valor], 2h de aplicação. Manutenção a cada 15 a 21 dias, R$ [valor]. Atendo no [bairro], [rua ou ponto de referência], de terça a sábado. Pra marcar, chama no WhatsApp: [seu número] ou link da bio. Essa semana ainda tenho quinta às 14h e sexta às 9h.

Pronto. Preço, duração, endereço, como marcar, e uma vaga com dia e hora. A pessoa deitada no sofá agora sabe se cabe no bolso dela, se cabe na agenda dela e o que fazer com o polegar.

Sobre cada linha, porque cada uma tem uma armadilha:

Preço. "Valores no direct" e "consulte" são as duas frases que mais custam horário na área. Quem pergunta preço no direct é a minoria corajosa; a maioria assume que é caro e passa. Se você tá na fase de modelo e o preço ainda vai subir, escreve o preço de hoje e o que ele é: "R$ [valor] nesse mês, valor de modelo, com [n] vagas". Como subir depois sem perder as primeiras a gente escreveu em Cobrar R$ 50 na fase de modelo.

Duração. Lash é o ofício em que a cliente mais se assusta com o tempo. Uma profissional contou em 2024 que demorava 4h numa aplicação e sentia que perdia cliente por isso. Escrever "2h" (ou 3h, ou o que for o seu) faz a mulher que sai do trabalho às 18h saber que não dá pra ser na terça, e marcar no sábado em vez de sumir.

Bairro. Ela mora longe e não vai. Melhor ela descobrir agora do que depois de oito mensagens. E se você atende em casa, diz que atende em casa, com o bairro e a referência. O que fazer com o receio de subir a escada de uma casa desconhecida tá em Atender em casa e parecer profissional.

Como marcar. Escolhe um caminho e escreve um só. Dois caminhos ("chama no direct ou no zap") viram dúvida, e dúvida vira nada. O WhatsApp ganha do direct porque o direct some na aba de solicitações quando ela não te segue.

A vaga real desta semana. É a linha que quase ninguém escreve e é a que muda o comportamento. Ela transforma "um dia eu marco" em "terça ou quinta". Tem que ser vaga de verdade: dia, hora, e que exista mesmo na sua agenda quando ela responder.

Quando não tem vaga nenhuma

Aí a quinta linha muda, e continua valendo a pena escrever:

Essa semana tô fechada. Abro a agenda de [mês] na segunda: me chama que eu te aviso primeiro.

Isso é honesto, é atraente e te dá uma fila. Como organizar essa fila no papel, sem esquecer ninguém, tá em Abriu um horário de sábado e você descobriu às 9h.

O que não funciona é fingir agenda vazia quando ela tá cheia, nem fingir agenda cheia quando ela tá vazia. A segunda é tentadora ("ai, tô lotada") e cobra caro: a pessoa acredita, não insiste, e você fica com a quinta às 14h aberta e com a sensação de que ninguém quer marcar.

O que fazer com quem já elogiou

As duas profissionais lá de cima já têm gente elogiando. Isso é material parado.

Abre os últimos cinco posts e faz uma lista no caderno: quem comentou, quem respondeu story com "amei", quem perguntou alguma coisa e a conversa morreu. Escreve nome por nome. Provavelmente cabe numa página.

Pra cada nome, uma mensagem, uma vez só:

Oi, [nome]! Vi que você curtiu o volume que eu postei. Ele sai R$ [valor], leva 2h e a manutenção é a cada 15 a 21 dias. Atendo no [bairro]. Tenho quinta às 14h e sábado às 10h essa semana. Quer que eu reserve um dos dois pra você?

Uma. Se ela visualizar e não responder, deixa quieto: ela decidiu, e insistir queima o pouco de vontade que sobrou. O nome fica na lista pra quando você abrir a agenda do mês seguinte.

E as colegas que você chamou como modelo, como no comentário de 2023, são a melhor porta que você tem, porque elas já sentaram na sua maca e saíram com o olhar pronto. Manda pra cada uma um texto que ela possa encaminhar sem escrever nada:

Oi! Tô com a agenda aberta pra volume brasileiro e manutenção. R$ [valor], 2h, no [bairro]. Se você conhecer alguém que tá querendo, manda esse texto pra ela: [seu número].

Encaminhar é fácil. Escrever uma indicação do zero é difícil, e é por isso que a maioria das colegas nunca indica, mesmo gostando de você.

Daqui a duas semanas

Posta com as cinco linhas por duas semanas e conta duas coisas no caderno: quantas mensagens novas chegaram e quantas dessas chegaram já falando de dia e hora ("tem quinta mesmo?"). A segunda é a que importa. Se as mensagens começam em "tem quinta?", a legenda tá trabalhando por você. Se continuam começando em "oi, quanto é?", tem uma linha que você não escreveu ou escreveu escondida no meio de sete hashtags.

E troca a quinta linha em todo post novo. Vaga de semana passada num post de hoje é o jeito mais rápido de a cliente achar que você não tá mais atendendo.

Era uma parede de várias, e elas têm ordem

  1. As cinco linhas na legenda de todo antes e depois. Hoje, no próximo post, sem ferramenta nenhuma.
  2. A mensagem única pra quem já elogiou, nome por nome, na lista do caderno.
  3. Manter a quinta linha verdadeira: olhar a agenda antes de cada post e trocar os horários livres à mão, semana após semana.
  4. A cliente ver sozinha o que tá livre e marcar, sem você abrir a agenda pra responder, e a confirmação sair depois sem você lembrar.

As duas primeiras são texto e resolvem hoje. A terceira funciona e cobra: é você conferindo a agenda antes de cada publicação, num dia em que tem cinco aplicações e a última sai às 20h. A quarta é a mesma informação da quinta linha, viva, mudando sozinha toda vez que alguém marca.