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"Produto de coloração pago com dinheiro da casa: o erro que esconde o lucro"

A tinta foi no cartão de casa, junto com o mercado, e a coloração parece lucro puro. A regra do material anotado por atendimento, pra copiar hoje.

"Minha dificuldade anotar todas a despesas e separar os caixas." Uma profissional escreveu isso num comentário do YouTube em 2025, embaixo de um vídeo de gestão de salão. Um ano antes, outra que atende em casa tinha escrito quase a mesma coisa: "até hoje não consigo separar o dinheiro do salão que é em casa do dinheiro pessoal".

Na cabeleireira, esse problema tem um lugar exato onde acontece: a compra do produto.

Sábado você passa na distribuidora, ou no mercado mesmo, e leva três bisnagas de tinta, um litro de oxidante e a máscara de pós-química junto com o arroz e o sabão em pó. Tudo no cartão de casa. Segunda você faz a coloração de R$ 150 e o Pix cai. Na sua cabeça, a coloração deu R$ 150.

Você não foi bagunçada

Distribuidora não tem um caixa pra casa e outro pro salão. A cliente tá marcada pra amanhã, a tinta acabou, e você paga com o cartão que tá na bolsa. Quem atende em casa já fez isso, porque é o jeito mais rápido de não deixar a cliente na mão.

O problema é o que acontece depois, e ele esconde o lucro dos dois lados ao mesmo tempo.

A coloração parece dar mais do que dá. Se o produto não aparece em lugar nenhum, os R$ 150 inteiros parecem seus. Aí o preço fica onde tá, porque "tá dando".

A casa parece gastar mais do que gasta. O cartão de casa veio alto e você não sabe por quê. É o "cadê o dinheiro" que tantas escrevem, e ele tá em parte na prateleira do salão.

A conta de uma coloração com o produto no lugar certo

Números de exemplo, pra conta andar. Troca pelos seus, tirados da nota da última compra.

item exemplo
tinta: 1,5 bisnaga de 60 g, a R$ 24 a bisnaga R$ 36,00
oxidante: 90 ml de um litro de R$ 30 R$ 2,70
máscara de pós-química, uma dose R$ 5,00
luva, touca, papel, algodão R$ 2,30
material da coloração R$ 46,00

A coloração de R$ 150 deixa R$ 104, e isso antes da luz, da água e da sua hora. Com cinco colorações na semana, são R$ 230 de produto que saíram da casa sem nome. No mês, R$ 920. Num cabelo comprido que leva duas bisnagas pelo mesmo preço, a diferença também vem do cartão de casa.

Repara que o salão não ficou mais pobre por isso. Ele só ficou invisível.

A regra, em três partes

1. Produto se paga pela conta do salão. Se você ainda não tem as duas contas, como abrir e como combinar a retirada tá em Dinheiro do salão e dinheiro da casa na mesma conta. Quando escapar e a tinta passar no cartão de casa, o salão devolve o valor pra casa na mesma semana, com a nota grampeada no caderno. Na distribuidora, duas passadas no caixa: produto numa, casa na outra.

2. A tabela de custo por produto, feita uma vez. Divide o preço pelo que ele rende:

produto paguei rende custo por grama, ml ou dose
bisnaga de tinta R$ g R$
oxidante R$ ml R$
descolorante R$ g R$
máscara de pós-química R$ doses R$
progressiva R$ ml R$

O método é o mesmo da balança de cozinha em Cera, lâmina, luva, trocando o pote de cera pela bisnaga.

3. O material anotado em cada atendimento. Na ficha da cliente ou na linha do caderno do dia, quatro linhas:

Ana · coloração · 12/10 Tinta: 7.1, 1,5 bisnaga (90 g) · Oxidante: 20 vol, 90 ml Máscara: 1 dose Material: R$ 46 · Cobrei: R$ 150 · Ficou: R$ 104

Essa anotação trabalha duas vezes. No fim do mês, você soma a última linha e sabe quanto as colorações deixaram de verdade. E daqui a dois meses, quando a Ana voltar pra raiz, você sabe a cor e quanto usou sem adivinhar.

O que a regra não resolve

Ela mostra quanto o produto come de cada serviço. Não diz se o preço tá certo: a conta do preço mínimo, com o fixo e a hora, tá em Esmaltação em gel a R$ 20, e vale igual pra coloração. Também não conta o produto que some da prateleira sem virar atendimento (a contagem do fim do mês tá em Cera, rolo e lençol). E não substitui contador na hora do imposto.

Era uma parede de várias, e elas têm ordem

  1. A tabela de custo por produto. Hoje, com as notas da última compra.
  2. Produto pago pela conta do salão, e a devolução na semana quando escapar.
  3. O material anotado em cada atendimento, junto da fórmula da cor.
  4. Juntar no fim do mês o que entrou, o que saiu em produto e o que ficou, cliente por cliente.

As três primeiras funcionam no papel e não pedem nada além de caneta. A quarta é juntar caderno e extrato do banco num sábado à noite, linha por linha, e é a parte que dá pra não fazer na mão.